PRETÉRITO, 2026
Galeria São Mamede, Lisboa.
Resgatando o conceito de memória e desviando-se de uma lógica representacional narrativa, PRETÉRITO consiste numa série de pinturas que operam num território intermédio entre realidade e ficção e que pretendem pensar a memória enquanto construção / projecção mental ao revés de a encarar como arquivo ou documento.
A exposição propõe, assim, uma experiência temporal não linear, marcada pela suspensão, de um tempo que não avança, mas que se prolonga e reinventa sempre que visitado. Cada pintura funciona como um dispositivo aberto à projecção do espectador, propondo histórias possíveis sem, no entanto, nunca as definir.
Encara-se PRETÉRITO como um tempo que continua a acontecer enquanto é visto. O título da exposição funciona, assim, como método e como metáfora, porque se manifesta numa experiência temporal em que o passado não é algo longínquo, mas ferramenta activa na construção identitária. As pinturas surgem simultaneamente como vestígio e ficção, questionando a ideia de memória como narrativa literal e substituindo-a por uma lógica de sobreposição, suspensão, omissão e indeterminação.
Activando mecanismos de rememoração, onde o vivido, o imaginado e o esquecido coabitam, as pinturas tornam-se, assim, num espaço de negociação entre presença e ausência, visibilidade e silêncio.





















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